MORALIDADE PATRIARCAL, VIRILIDADE, VIOLÊNCIA E ESTUPRO CONJUGAL: UMA LEITURA DOS ROMANCES SENTIMENTAIS POPULARES DAS DÉCADAS DE 1970 E 1980

Autores/as

  • Ricardo Augusto de Sabóia Feitosa Universidade Federal de Pernambuco
  • Roberta Manuela Barros de Andrade UECE

Resumen

O artigo busca investigar, a partir de uma análise discursiva de onze títulos exemplares do selo editorial “Romances do Coração”, publicados no Brasil, entre os anos de 1970 e 1980, como se articulam as relações entre a violência doméstica – em seus mais variados níveis e graduações, dentre eles, o estupro conjugal – e os ideais de honra, força, decência e virilidade, desenhados num escopo mais amplo das relações patriarcais reproduzidas, (re)encenadas e atualizadas nas páginas desses folhetins. Buscamos compreender como se elabora, por meio de suas personagens e situações ficcionais, uma ordem moral e afetiva/sentimental em que a violência contra a mulher compactua com esse ideário. Essa articulação obedece a representações e expectativas deste gênero literário acerca do que seriam os papeis e lugares reservados a homens e mulheres e, a partir deles, como se desenharia o casamento ideal, aquele que estaria inserido, em tese, em relações de afeto e amor. Não obstante o reconhecimento da complexidade das diversas formas como a cultura do estupro se intersecciona na literatura, identificamos a persistência, nos romances analisados, de uma ordem patriarcal que valoriza e naturaliza a hierarquia entre os gêneros, legitimando situações de violência no interior das relações conjugais, incluindo o estupro. Nesses romances, estabelece-se como parâmetro de ação para as personagens femininas a passividade frente às várias violências sofridas e a sua culpabilização, em contraponto a personagens masculinas ativas, retratadas como em pleno exercício dos seus direitos de marido e de homem viril ideais.

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Publicado

30-06-25

Número

Sección

Temas Livres